Thursday, December 7, 2006

O Ecumenismo Salva?

A dois dias eu estava participando de uma novena e surgiu o assunto, a salvação pode ser encontrada em qualquer igreja? Durante a conversa lembrei-me de um artigo que havia lido: “BRASIL: ¿HACIA LA NUEVA RELIGIÓN UNIVERSAL?.“; A notícia fala da realização em Brasília entre os dias 6 e 10 de Dezembro do “primeiro Fórum Espiritual Mundial, um novo passo no sentido de contruir uma nova religião planetária a serviço da Nova Ordem Mundial”, com destaques para a participação do EX-Frei Leonardo Boff, do Arcebispo de Brasilía Dom João Braz de Aviz, e outros nomes como: Nestor Masotti, Presidente da Federação Espiritista Brasilera (FEB); Raúl de Xangô, da Tradição Africana; Sheikh Nasser Abou Jokh, do Centro Islámico de Brasilia e Timothy Mulholland, reitor da UnB (Universidade de Brasilia). Uma versão em portugues do artigo pode ser encontrada no site da Associação Cultural Montfort sob a referencia ”Bacigaluppi, Juan - Noticias Globales - Brasil: Em direção a nova Religião Universal? “.

Haveria muito a argumentar sobre isto, mas, com muito mais autoridade, o Papa Pio XI já falou sobre isto na Encíclica “Mortalium Animus”; Alguns trechos vou transcrever aqui, destacando em azul as partes que considerar mais relevantes.

Após falar da unidade do genero humano e da ânsia universal pela paz e fraternidade entre os homens, diz o Papa:

2. A Fraternidade na Religião. Congressos Ecumênicos

Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.

Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a Ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.

Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão.

E segue afirmando:

3. Os Católicos não podem aprová-lo

Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.

Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.

Se todas as religiões estão certas, e contradizem-se, não há religião verdadeira, e se devo escolher entre os erros, posso escolher religião nenhuma, chegando assim racionalmente ao ateísmo. Desta forma o Papa explica:

7. Só uma religião pode ser verdadeira: A revelada por Deus

Fomos criados por Deus, Criador de todas as coisas, para este fim: conhecê-lO e serví-lO. O nosso Criador possui, portanto, pleno direito de ser servido.

Por certo, poderia Deus ter estabelecido apenas uma lei da natureza para o governo do homem. Ele, ao criá-lo, gravou-a em seu espírito e poderia portanto, a partir daí, governar os seus novos atos pela providência ordinária dessa mesma lei. Mas, preferiu dar preceitos aos quais nós obedecêssemos e, no decurso dos tempos, desde os começos do gênero humano até a vinda e a pregação de Jesus Cristo, Ele próprio ensinou ao homem, naturalmente dotado de razão, os deveres que dele seriam exigidos para com o Criador: “Em muitos lugares e de muitos modos, antigamente, falou Deus aos nossos pais pelos profetas; ultimamente, nestes dias, falou-nos por seu Filho” (Heb 1,1 Seg).

Está, portanto, claro que a religião verdadeira não pode ser outra senão a que se funda na palavra revelada de Deus; começando a ser feita desde o princípio, essa revelação prosseguiu sob a Lei Antiga e o próprio Cristo completou-a sob a Nova Lei.

Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditar, de modo absoluto, em Deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.

E assim determina:

8. A única religião revelada é a Igreja Católica

Acreditamos, pois, que os que afirmam serem cristãos, não possam fazê-lo sem crer que uma Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga, além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu Autor, já não estão todos em consenso.

Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si.

Entretanto, Cristo Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça (Mt 16,18 seg.; Lc 22,32; Jo 21,15-17), pelo magistério de uma voz viva (Mc 16,15) e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste (Jo 3,5; 6,48-50; 20,22 seg.; cf. Mt 18,18; etc.). Por esse motivo, por comparações afirmou-a semelhante a um reino (Mt, 13), a uma casa (Mt 16,18), a um redil de ovelhas (Jo 10,16) e a um rebanho (Jo 21,15-17).

Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: “Ide, pois, ensinai a todos os povos” (Mt 28,19).

Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: “Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?” (Mt 28,20).

Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).

E segue destacando uma série de argumentos falaciosos, usados com frequencia tanto pelos “pancristãos” quanto pelos “acatólicos”. Resalta que ambos até dispõem-se a estar unidos, mas sem abandonar suas falsas doutrinas, ou seja, algo como um corpo único, separado em partes, esquartejado. E nada pode ser mais esclarecedor do que isto:

10. A Igreja Católica não pode participar de semelhantes reuniões 

Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

Mas ao contrário dos que alguns poderiam estar imaginando, nem nós católicos, nem o Papa é contra a união de todos os fiéis, e explica como devemos proceder:

16. A única maneira de unir todos os cristãos

Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.

Dizemos à única verdadeira Igreja de Cristo: sem dúvida ela é a todos manifesta e, pela vontade de seu Autor, Ela perpetuamente permanecerá tal qual Ele próprio A instituiu para a salvação de todos.

Pois, a mística Esposa de Cristo jamais se contaminou com o decurso dos séculos nem, em época alguma, poderá ser contaminada, como Cipriano o atesta: “A Esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pudica. Ela conhece uma só casa e guarda com casto pudor a santidade de um só cubículo” (De Cath. Ecclessiae unitate, 6).

E o mesmo santo Mártir, com direito e com razão, grandemente se admirava de que pudesse alguém acreditar que “esta unidade que procede da firmeza de Deus pudesse cindir-se e ser quebrada na Igreja pelo divórcio de vontades em conflito” (ibidem).

Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultície alguém afirmar que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22).

Em resumo, só há uma Igreja verdadeira, fundada por Cristo, Nosso Senhor, na sucessão apostólica, esta Igreja é a Católica, sómente nesta Igreja está a salvação, isto é dogma de fé, quem nega ou põe em dúvida esta afirmação cai em heresia. E o próprio Cristo disse “Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.” (MT 12,30).

Posted by Alessandro Martini at 22:24:20
Comments

2 Responses to “O Ecumenismo Salva?”

  1. Neimar says:

    Interessante esse ponto d vista, ainda q bastante rigido, deve ser considerado, nào apenas pelos tradicionalistas, porém por outros designios.

    eis q lhe pergunto: E o AMOR ao proximo? e qto ao perdão? e qto ao sentimento de união com o pecador (e não o pecado) ?

    até +

  2. Antonio says:

    Vi que pôs um comentário no meu blog, a pedir para divulgar o seu. Obrigado pela visita. Ao ler o que aqui escreve, não me deixo de questionar com algumas coisas que diz. Se por um lado, os abusos que se fazem na falta de cuidado da preparação da nossa liturgia devem pedir um maior sentido de dignidade, isto não quer dizer que se volte ao tipo de celebrações anteriores ao concílio Vaticano II, que sabe manter a tradição e a renovação adaptada aos fiéis que hoje participam na Missa. Existe naquilo que propõe o mesmo risco de extremismo, para a parte oposta, daquilo que critica. Por outro lado, o que afirma sobre o Diálogo ecuménico parece-me muito desactualizado, não pode citar o Papa Pio XI, quando o Concílio Vaticano II apresenta uma visão diferente, que não faz ruptura, mas abre, de um modo muito mais dialogante, o aspecto da comunhão e salvação de todos os homens. Seria mais proveitoso citar Unitatis redintegratio para falar dos actuais esforços do Ecumenismo. Quanto à nossa Igreja de Cristo, sinal visível da Salvação, que subsiste na Igreja Católica, recomendo a leitura e meditação da Constituição Dogmatica Lumen Gentium, sobretudo o numero 8. É importante perceber que temos visões diferentes da Igreja, que sabemos uni-las na caridade, mas também é preciso estar atento aos sopros do Espírito Santo, que trazem a Novidade de Deus à nossa existência. Um abraço em Cristo. António

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